sexta-feira, 27 de abril de 2012

Roma.





Sinto-me tentado a escrever sobre o amor. A ponta da caneta cria vida e percorre o papel, ora como a mão de um marido apaixonado, deslizando carinhosamente sobre o corpo nu da sua senhora na noite de núpcias, ora como os caninos de uma hiena dilacerando sua presa. 
Amores jovens, amores quentes. Grandes, pequenos, coloridos, preto e branco, doce, amargo. Perder-me-ia citando formas e texturas de amores loucos, de loucos amores que observo pelas estradas em que caminho. Todos amam, todos amam, todos querem amor, mortais e deuses buscam viver essa psicose ardente. Ordinariamente são poucos os felizardos. 
Rasga-se o véu e tudo se torna cólerico. Aquele belo sentimento agora é fétido, a imaculada comunhão hoje sela o mundo com silêncio, incessantemente, martirizando os dias sem fim.
E se não houvesse outras centenas para alimentar a sua luxúria?
É uma incerteza constante, nada que se possa controlar, nada que se deva temer. Retorno meu coração para o céu e deixo esse o vento gelado costurar minhas feridas.



sábado, 21 de abril de 2012

Cotidiano.

"[...] sentia vontade de chorar, mas não saia lágrima alguma. era só uma espécie de tristeza, de náusea, uma mistura de uma com a outra, não existe nada pior. acho que você sabe o que quero dizer, todo mundo, volta e meia, passa por isso, só que comigo é muito freqüente, acontece demais. [...]"


Buk.



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Vida.

E quem disse que você é alguém?
Você só passa a ser alguém quando a morte bate em sua porta e consegue entrar.
Antes disso você é apenas um produto da correria diária de pessoas que também não são ninguém.
Eu vivo isso todos os dias!
Eu vivo isso.



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012


Uma vez
A última vez
Apenas mais essa tentativa
-Eu repetia isso pra mim mesmo por diversas vezes-
Mas eu não quero mais jogar dados
Eu preciso sentir essa sensação novamente
Mas eu não vou mais jogar dados
Dessa vez vai ser diferente eu vou quebrar a mesa
Não. Não. Não. Não.
A casa sempre ganha
É questão de sorte
Todos os jogadores são iguais
É questão de sorte
Mais uma vez eu sai sem nada
Deixei na mesa emoções que não podem ser compradas
O meu melhor
O meu eu
As fichas que sobraram comigo são as que não são apostáveis
Eu não tenho mais nada nos bolsos
Nada além de... Merda nenhuma
Hoje eu volto a pé para o mundo
Hoje eu estou derrotado
E fui assistido por uma platéia eloquente
Uma eloquente  platéia maldita
Vibravam à cada partida
Sorriam e me ofereciam bebidas
Sorriam e me incentivavam
Sorriam e.. Sorriam
Mas cadê todo mundo?
O jogo acabou
Novamente o jogo acabou
E aquela meretriz permaneceu sentada, gargalhando ao me ver destruído                            

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Jaqueta Vermelha.


A vantagem de viver assim é que tu finge que vive. 
Ou finge que finge. 
Roupas 
Sapatos
Bitucas de cigarro
Amplificadores 
Dinheiro
Tudo misturado em um mundo 
de
Rabiscos 
Amores
Licores
Nesse jogo surreal
Vivendo uma dualidade inexpressiva
de
Dissabores, com sabor de malte 
Amargo
Necessário


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Vera.


Toda vez que a gente se via, acontecia um beijo.
Nada pretensioso, mas sempre acontecia.
Ela dizia que gostava do meu jeito. Eu dizia que gostava do jeito dela.
Eu fumava do cigarro dela e nós bebiamos juntos à minha cerveja.
Ela era muito tranquila, tranquila o bastante pra não me encher o saco enquanto eu lia.
Até que em uma tarde de novembro de 1976 ela pegou à bolsa listrada e embarcou no primeiro trem para algum lugar que tinha neve. Eu não  me recordo bem do nome do lugar, só lembro que era um lugar que nevava o ano todo. Ela adorava neve.
Nós moramos juntos por três anos.
Foram longos e divertidos três anos.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Quarta-feira, 25 de janeiro de dois mil e doze.


Deitado esperando o tempo passar. De vagar como de costume. 
Deitado esperando o bom tempo chegar. 
Me enterrando em versos censurados. 
Me contento com essa vitrola. Que não para de tocar, pra variar.  
Hoje o dia não passa, só passa desgraça e não tem ninguém que faça essa angustia desaparecer. 
Canta baixinho. 
Chora de rir. 
Ri de tanto chorar.  
Ouço o vento voar. O vento elétrico tem um barulho chato.  
Prefiro o vento do mato, que me faz viajar junto às folhas caídas pelo chão. 
Tanto tempo passou e eu estou aqui. 
Deitado nas folhas da laranjeira marrom.